A AMD acaba de ganhar um “passe VIP” na festa da inteligência artificial. A OpenAI firmou um acordo para instalar GPUs Instinct em seus novos data centers a partir de 2026 e, de quebra, poderá adquirir até 10 % da fabricante se metas técnicas forem cumpridas. O anúncio sacudiu Wall Street: o papel da AMD abriu o pregão em Nova York com alta de 37 %, beirando US$ 226.
Por que a OpenAI resolveu dividir o bolo com a AMD?
Até agora, Nvidia e OpenAI formavam o casal perfeito: US$ 100 bilhões garantidos em chips Hopper e na futura plataforma Vera Rubin. O problema é simples: mesmo a Nvidia, líder absoluta em IA, enfrenta gargalos de produção. Ao trazer a AMD para o jogo, Sam Altman reduz a dependência de um único fornecedor, pressiona preços e acelera a entrega de computação — a “matéria-prima” dos modelos como o ChatGPT.
Radiografia do acordo
• 6 GW de capacidade computacional em etapas até o fim da década.
• Primeira leva: 1 GW na segunda metade de 2026.
• Hardware: famílias AMD Instinct (hoje representadas pelas MI300, mas novas gerações já estão no forno).
• Warrant: direito de a OpenAI comprar 160 milhões de ações a preço simbólico — fatia que pode chegar a 10 % do capital da AMD.
Instinct MI300 vs. Nvidia H100: duelo de gigaflops
Na ponta do lápis, o chip topo de linha da AMD (MI300X) entrega 5,2 TB/s de largura de banda de memória HBM3 e até 192 GB de VRAM, contra 4,8 TB/s e 120 GB do H100 padrão. Já em treinamento de IA (FP16), o H100 ainda leva vantagem bruta (até 4 PFLOPs vs. 3,4 PFLOPs da AMD). Essa proximidade de especificações explica por que a OpenAI considera seguro diversificar.
Impacto na bolsa e na prateleira
Para investidores, o movimento reforça a tese de que a AMD deixou de ser “a segunda colocada do mercado de GPUs” e virou peça chave de data centers de IA. Para o consumidor final, mais competição costuma significar:
- Queda gradual nos preços das placas de vídeo de alto desempenho;
- Chegada mais rápida de tecnologias como memória HBM em GPUs de mesa;
- Drivers otimizados para frameworks de IA usados em jogos, streamings e criação de conteúdo.
O plano gigante de 23 GW
Com Nvidia (10 GW) e AMD (6 GW) contratadas, a OpenAI ainda precisa fechar 7 GW para atingir sua meta global. A empresa negocia com TSMC, Samsung e SK Hynix para garantir silício e memória, além de parcerias de energia no Texas, Novo México, Ohio e até Abu Dhabi, onde o projeto Stargate promete data centers sem precedentes.
Imagem: Tigarto
O que muda para você, entusiasta de hardware?
• Mais drivers otimizados para IA e ray tracing em GPUs Radeon e GeForce.
• Possível aumento de oferta de placas de vídeo de gerações atuais, à medida que data centers migram para linhas dedicadas.
• Pressão competitiva sobre preços de processadores com aceleração IA integrada — olho nos futuros AMD Ryzen Serie 9000 e Intel Core Ultra.
No fim das contas, quanto maior a briga no topo, melhor para quem monta PCs aqui embaixo. A parceria AMD + OpenAI não é apenas um acordo corporativo; é o estopim para a próxima rodada de inovações que, em breve, poderão turbinar seus jogos, seus projetos de criação e até o treino do seu próprio modelo de IA caseiro.
Com informações de Olhar Digital