Prepare a câmera e atualize seus aplicativos de previsão de aurora: os próximos anos prometem um verdadeiro show de luzes nos céus polares (e, eventualmente, em latitudes mais baixas). Especialistas em clima espacial afirmam que, mesmo após o pico do atual Ciclo Solar 25, o Sol ainda deve disparar uma série de tempestades geomagnéticas capazes de intensificar e prolongar as auroras até, pelo menos, 2027.
O que é o ciclo solar e em que ponto estamos?
O Sol vive um ritmo de 11 anos, alternando entre fases de mínima e máxima atividade magnética. Iniciado em dezembro de 2019, o Ciclo 25 atingiu seu auge em meados de 2024, segundo a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA). Agora, entramos na fase descendente, mas isso não significa calmaria total.
A física do clima espacial Tamitha Skov explica que, mesmo após o máximo, o astro ainda passa por um “último suspiro” de energia, período em que grandes buracos coronais disparam fluxos de partículas solares em direção à Terra. O resultado? Auroras mais frequentes, visíveis por várias horas — e às vezes dias — seguidos.
Por que as auroras ficarão intensas por mais tempo?
De acordo com o físico solar Pål Brekke, da Agência Espacial Norueguesa, o pico de atividade auroral costuma ocorrer de um a três anos após o máximo solar. Há três fatores principais:
- Buracos coronais persistentes: regiões “abertas” no campo magnético do Sol, pelas quais jatos de vento solar escapam em direção ao Sistema Solar.
- Duração maior das tempestades: mesmo que menos intensas que no auge, essas tempestades podem se estender por dias, mantendo a ionosfera energizada.
- Acúmulo de energia magnética: quanto mais tempo as partículas carregadas interagem com a atmosfera terrestre, mais prolongadas são as “cortinas” verde-esmeralda, roxo e vermelho nos céus.
Impacto prático: do GPS ao seu PC gamer
Tempestades geomagnéticas não afetam apenas fotógrafos e caçadores de aurora. Sistemas de GPS, rádio de alta frequência, internet via satélite e até redes elétricas podem apresentar instabilidade. Se você trabalha de forma remota ou é entusiasta de hardware, vale investir em:
- Nobreaks (UPS) e filtros de linha para proteger PCs, placas de vídeo topo de linha e consoles de picos de tensão;
- Fontes de alimentação certificadas (80 Plus Bronze ou superior) com proteções contra sobrecarga;
- Roteadores e modems com firmware atualizado para lidar melhor com interrupções momentâneas.
Dica de entusiasta: alguns nobreaks inteligentes já monitoram variações de rede em tempo real e enviam alertas para o celular, recurso útil durante janelas de intensa atividade solar.
Como e onde observar as luzes dançantes
Se ver uma aurora está na sua lista de desejos, anote:
Imagem: Burartu Shutterstock
- Melhor época: equinócios de março e setembro, quando o eixo da Terra favorece a entrada das partículas solares.
- Melhores locais: norte do Canadá, Alasca, Islândia, Noruega e, no hemisfério sul, Tasmânia e sul da Nova Zelândia.
- Apps úteis: Aurora Forecast, My Aurora Forecast & Alerts e SpaceWeatherLive, que enviam notificações de KP Index (nível de tempestade geomagnética) em tempo real.
Equipamentos fotográficos como câmeras mirrorless de alta sensibilidade (ISO 6400 ou mais) e lentes grande-angulares f/1.8 podem capturar as tonalidades com nitidez. Para quem quer algo compacto, gimbals para smartphones com modo noturno estabilizado garantem vídeos fluídos.
O que esperar até 2027
Segundo Skov, devemos assistir a um “período bônus” de auroras por até três anos, antes de o Sol atingir seu mínimo em 2030. Além das luzes, espere:
- Picos de radiação que podem exigir manobras de satélites Starlink e da Amazon Kuiper;
- Anomalias em espaçonaves, exigindo protocolos de desligamento preventivo de instrumentos sensíveis;
- Boas oportunidades para cientistas estudarem como a magnetosfera reage a eventos prolongados.
No fim das contas, é o momento perfeito para entusiastas de hardware testarem seus sistemas de backup e, claro, para viajantes presenciarem um dos fenômenos mais impressionantes da natureza sem depender de filtros de Instagram.
Com informações de Olhar Digital